Excelencia - Nunca aceites os teus limites antes de actuares

Maratona-superaNo inicio parece fácil.

O contacto diário com as notícias acerca de resultados alcançados por grandes atletas parece demonstrar que eles são metas possíveis de ser alcançadas.

Ao sonho junta-se a ambição e desta mistura define-se interiormente um objectivo: eu também vou ser um campeão.

À partida parece claro e mensurável porque ser campeão é chegar em 1º lugar.

Parece ser exacto, chegar em primeiro, não se confunde com chegar em segundo ou terceiro!

Parece ser realista porque se ele é humano e foi capaz, então eu que tenho todas as condições e também sou humano, também poderei alcançar tal feito, porque não?

E pronto, o trabalho começa rumo à obtenção daquele objectivo definido: ser campeão.

Começam os treinos, as vastas horas de dedicação, a cumplicidade entre um corpo, a sua própria vontade e os muitos quilómetros de corrida que os unem.

Controlam-se tempos, investe-se em tudo aquilo que parece ser necessário para se ser campeão.

E no final de tanto investimento, eis o dia da prova. O dia em que se procura finalmente concretizar a meta que foi estabelecida meses antes. Mas neste dia o objectivo não é alcançado… e surgem as muitas dúvidas, as diversas questões:

- Segui à risca o plano de treino, fiz uma dieta rigorosa, consegui obter melhor calçado e o melhor material desportivo, dediquei-me corpo e alma, porque é que não consegui ser o primeiro do pódio? Onde foi que eu errei?

De facto, o alcance do pódio é desejado por muitos atletas, no entanto não existem lugares marcados, e só há lugar para três.

A definição de objectivos de resultado nem sempre conduz o atleta ao melhor caminho.

Então porque não se estabelece outro tipo de objectivos?

Um “pequeno” exemplo:

Quem nunca ouviu falar de Gabrielle Andersen-Scheiss? Em 1984, nas Olimpíadas de Los Angeles, a atleta suíça, emocionou o mundo conseguindo marcar a história do desporto, ao conseguir cruzar a meta no trigésimo-setimo lugar, quando já não tinha mais ninguém atrás dela.

Muitos se perguntariam: qual é o motivo que a leva a continuar, encontrando-se esgotada, cansada, desidratada, na presença de cãimbras constantes?

A verdade é que Gabrielle foi incapaz de desistir, incapaz de se render.

À sua volta, as pessoas diziam-lhe para terminar, outras mostravam-se dispostas a ajudá-la a qualquer momento bastava ela desistir. No entanto ela disse sempre que não enquanto a prova decorreu, enquanto não cruzou a meta. Terminar aquela prova era apenas e só o desejo daquela mulher.

Um objectivo que em nada teve a ver com os tais três lugares reservados. Gabrielle não ganhou uma medalha no entanto, transformou a história e ensinou-nos que por vezes, a superação dos nossos limites valem mais do que qualquer medalha, quaisquer minutos num pódio.

A verdadeira meta chama-se superação, isto é, a capacidade que o ser humano tem em superar os seus próprios limites, de alcançar mais um pouco de si dia-a-dia.  

Pois o desafio que deixo é baseado neste exemplo:

Trabalhar por objectivos é essencial, porque só se chega a um lugar se se souber para onde se caminha. No entanto a luta pelos resultados nem sempre levam à meta desejada. Por isso,  não vamos por atalhos! Procuremos alcançar todos os dias algo que ainda não fomos capazes antes, uma pequena superação de nós próprios...

Procurar que a meta estabelecida nos ajude a ser um pouco mais em cada treino.

Superem-se todos os dias e quem sabe… se no final… um dos três lugares será vosso…

 

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