E se...?
| Motivação |
Quando nos empenhamos a sério numa actividade e sentimos que damos tudo o que temos, a nossa confiança e segurança face a situações em que somos postos à prova aumenta, sentimo-nos capazes, preparados, altamente motivados. É muito bom sentirmos que o nosso esforço se traduz em resultados e em mais e maiores desejos de novas sensações, recompensas, forças, tempos, qualquer coisa que sintamos que advém do nosso empenho e mérito e que se liga ao que efectivamente nos motiva. Contudo, também é frequente sentirmos tensão, nervoso, até alguma descrença… E é nesta altura que surgem as dúvidas…
“E se não estudei o suficiente?”; “E se começar a chover?”; “E se estiverem a olhar para mim e eu não conseguir?”; “E se eu me esquecer?”…
Formulamos muitas questões para nós mesmos e, quando aparecem os “E se...?”, facilmente começamos numa espiral de questões a propósito de situações e condições que não podemos prever porque pertencem ao futuro e não ao presente.
A menos que queiramos começar a dominar a arte da futurologia tratam-se apenas de cenários possíveis que construímos para, de alguma forma, nos prepararmos para o que nos espera. Também estes “se” e estas antecipações que fazemos são importantes e, ainda que não pareçam, são motivos tão válidos como os outros para enfrentarmos uma tarefa.
Claro que é importante que não deixemos que esta maré, que certas vezes nos parece infinda, de perguntas nos invada e nos bloqueie, fazendo com que o nosso esforço de nada valha e que quando formos postos à prova não consigamos demonstrar em pleno as nossas capacidades e competências.
Quando isto acontece o desânimo e a desilusão instalam-se e é terrível… Mas se tivermos consciência de que isto pode acontecer é muito mais fácil de controlar; além disso, podemos sempre treinar a nossa capacidade de resistência e afastamento perante este tipo de pensamentos que nos bloqueiam, e assim melhorar. Se não conseguimos uma vez, e outra, e outra, começamos a desanimar, mas isso pode ser uma forma de nos motivarmos ainda mais pela procura de um melhor entendimento de nós mesmos enquanto pessoas, alunos, atletas, amigos, profissionais, ou o que seja.
O facto de nos colocarmos estas questões expande-nos os horizontes e desperta-nos para um mundo de possibilidades!
Ao mesmo tempo que pensamos se estudámos o suficiente, avaliamos o que fizemos e o que achamos que devemos fazer da vez seguinte.
Se pensamos que pode chover e isso nos vai atrapalhar em algum tipo de competição, quando chove é para todos; aquilo que eu sinto, outros podem sentir também, e se outros sentem como eu, a sensação de que o único beneficiado ou prejudicado sou eu desaparece, e instala-se um sentimento de igualdade de circunstâncias que fortalece a confiança e promove a concretização das expectativas que colocamos.
Se nos preocupamos com o facto de termos muitos olhos postos em nós: pois bem que olhem, mais gente para connosco constatar que de facto nos empenhamos e merecemos. Ou então, se há muita gente a olhar está certo, mas cada um faz o que quer, porque o entende e só a si diz respeito o resultado que alcança; ainda que possamos desiludir alguém, os maiores interessados no sucesso e realização somos nós mesmos.
Já quando nos preocupamos com algo de que nos possamos esquecer… Bem, da próxima sabemos que há que arranjar maneira de decorar melhor ou de planear mais cautelosamente o que vai acontecer.
Seja como for, construir possíveis cenários é excelente porque nos leva a ver mais além e de uma certa maneira a encarar a vida como uma sucessão de oportunidades e não uma só e decisiva hipótese. Se o que pretendemos é conhecer quem somos, sendo cada vez melhores, mais capazes e mais completos, talvez começar a ver o que habitualmente nos causa preocupação ou problemas como mais um elemento gerador de capacidade e motivação seja um dos caminhos!
Actualizado em (Quarta, 20 Janeiro 2010 01:34)

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